The Saker: O golpe do “estado profundo” contra Flynn – Falando da forma mais clara possível

The Saker: O golpe do “estado profundo” contra Flynn – Falando da forma mais clara possível

14.02.2017, The Saker, The Vineyard of the Saker

tradução de btpsilveira

 

Muito bem. Tenho a percepção de que um grande número de leitores não está conseguindo entender a natureza do que está acontecendo. Assim, desta vez, em vez de escrever uma análise, vou destacar alguns tópicos – e tentar fazer um tipo de trabalho melhor para marcar minha posição. Vamos lá.

ISSO NÃO TEM NADA A VER COM FLYNN. Vou repetir. ISSO NÃO TEM NADA A VER COM FLYNN!!!Pelo amor de Deus, não venham me dizer que Flynn está errado quanto ao Irã, ou Islã, ou China. Concordo. Mas,
==> ISSO NÃO TEM NADA A VER COM FLYNN!!! <==

ISSO É SOBRE PODER. Como assim, quem é o chefe? Quem é o número um? Quem é o cachorro alfa? O presidente ou o “estado profundo”? É disso que estamos falando – mostrando quem é que está no comando.

 

FLYNN ERA UM SÍMBOLO. Ele era o verdadeiro símbolo da noção de “drenar o pântano” em Washington, composto este principalmente pelas agências de três letras e de um jeito ou de outro, também pelo Pentágono. Flynn era o sujeito que ousou desafiar a censura implícita no pensamento político e ser amigo dos russos. Foi o homem que queria colocar a CIA e JCS sob as ordens da Casa Branca. Finalmente, Flynn era o cara com contatos no SOCOM (United States Special Operations Command – Comando de Operações Especiais dos EUA – NT) e JSOC (Joint Special Operations Command – Comando de Operações Especiais Conjuntas – NT). Flynn tinha que ser colocado fora de combate.

FLYNN ERA UMA PEDRA ANGULAR. Para o melhor e para o pior, é totalmente evidente que Flynn era o cérebro por trás de toda a política externa de Trump. Em alguns pontos Flynn era magnífico (Rússia), em outros, era bom (Terrorismo Takfiri), em outros, ridículo (China) e finalmente, em outros, era terrível (Irã). Mas não é isso o que importa agora. Ouçam o que diz Kucinich  que afirma claramente que não se trata de Flynn ou Trump, mas de um golpe que está sendo aplicado pelo ‘estado profundo’ contra a presidência dos Estados Unidos. Agora que Flynn foi colocado no chão, não há mais algo que possa ser chamado de “política externa de Trump”.

FLYNN É TAMBÉM A PRIMEIRA PEDRA DO DOMINÓ. Preste atenção agora, pois isso é importante: Putin tem sido criticado sempre porque protege seus amigos mesmo quando estes são culpados de algum malfeito. Agora, diga sinceramente: você teria coragem de arriscar seu pescoço por Trump ou por Putin?Pois então. Se Trump fosse uma pessoa com lealdade para dar e vender, teria chamado Pence e Flynn para o Salão Oval, feito Flynn pedir desculpas e Pence calar a boca. Mas não fez nada disso. Ao aceitar a “renúncia” de Flynn, Trump mostrou que não protege aqueles que lutam por ele. Isso terá um efeito dominó definitivo agora que todos aqueles que têm alguma importância entenderam: Trump é fraco, os neocons vão colocar nele um cabresto bem curto e Trump vai te deixar pendurado na brocha quando a merda chegar ao ventilador.

A QUEDA DE FLYNN É UMA MENSAGEM. Uma mensagem para todos aqueles que odeiam Trump e também para aqueles aos quais Trump supostamente representa. A mensagem é simples: estamos de volta no controle, moçada! A festa acabou! Agora que Trump foi humilhado e acabrunhado, agora que perdeu sua único aliado poderoso e de alto QI na Casa Branca, os neocons e o estado profundo sentiram o cheiro de sangue, vão dobrar a aposta e atacar com intensidade cada vez maior. A próxima vítima sacrificial altamente simbólica pode ser o odiado Steve Bannon. O raciocínio é simples: está aberta a temporada de caça aos “criminosos por pensamento” (“crimethinkers”, no original. Palavra difícil de traduzir, não presente nos principais dicionários – NT) que são contra o estado profundo.

NO FINAL DAS CONTAS, TRATA-SE DO CARÁTER DE TRUMP. Esse era a grande dúvida, é ou não é? Na realidade, ninguém sabia que tipo de presidente Trump poderia ser. Todos, na verdade até nós, gostávamos de ficar especulando sobre seu ego, sua falta de experiência política, o fato que ele não devia nada a ninguém, que era um negociador, um homem com um grande senso prático. Bem, nós ainda não sabemos que tipo de presidente ele SERÁ, mas estamos loucos de medo de saber que tipo de presidente ele com certeza NÃO SERÁ: ELE não vai drenar o pântano, ele NÃO vai tirar os interesses dos Estados Unidos para fora da subordinação ao Império AngloSionista, ele NÃO vai forjar uma parceria histórica com a Rússia e ele não vai mandar os neocons de volta para a toca de onde saíram há cerca de 24 anos. Se Trump é um descerebrado, um invertebrado sem cojones ninguém sabe, mas aghora está dolorosamente claro que ele tem muito mais um comum com Yanukovich que com Putin.

Como eu disse, acabou. Não por causa da visão de Flynn sobre o Irã. Mas porque Trump vacilou, ele foi quebrado e agora tudo o que podemos esperar são mais quatro anos de uma dolorosa agonia. Isso assumindo que os neocons não vão causar seu impeachment só para exibir sua arrogância e senso de superioridade.

Francamente, meu coração está com aqueles que esperavam sinceramente que Trump poderia ser o homem que iria libertar os Estados Unidos dos neocons e restaurar o poder da “cesta de deploráveis” contra um punhado de minorias e interesses egoístas. Alguns virão indulgentemente dizer “eu não te falei?”, mas estarão errados. Esperar pelo melhor era a coisa certa a fazer. Aqueles que votaram em Trump fizeram a única coisa em seu poder para evitar que Hillary viesse a ocupar a Casa Branca. Foi a decisão certa, eles fizeram a coisa correta, tanto moral quanto pragmaticamente.

Agora precisamos ter coragem e aceitar a realidade como ela é. Minimizar as implicações dos últimos acontecimentos não faz o menor sentido, nem ética, nem praticamente. A realidade é a seguinte:

Os neocons e o estado profundo nos EUA precisaram de apenas três semanas para desmontar os resultados da eleição presidencial.

Agora, Trump está declarando que “espera que a Rússia devolva a Crimeia para a Ucrânia”

Fim de jogo, pessoal – seja bem vindo (de volta) para a Guerra entre a Rússia e o Império.

The Saker

PS: apenas mais uma coisa: o próprio Trump era, com todas as possibilidades, o candidato de uma parte do “estado profundo dos Estados Unidos”. Nem Trump nem Flynn surgiram do nada, de geração espontânea. O que ocorre é uma luta de uma facção do estado profundo contra outra facção. Por algum tempo, estas facções estarão divididas. Levando em conta que agora Trump tem autoridade e os que querem uma revolução colorida não, falo de uma luta do “estado profundo” contra a Presidência.