«A ARTE DA GUERRA» Trump a caminho do G-Nato de Taormina de Manlio Dinucci

 


REDE VOLTAIRE | ROMA (ITÁLIA) | 25 DE MAIO DE 2017 

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O Presidente Trump, depois de ter estado na Arábia Saudita e em Israel, visita Roma amanhã e vai, em seguida, no dia 25, à Cimeira da NATO em Bruxelas e volta a Itália, nos dias 26 e 27, para assistir ao G7 de Taormina e para conhecer a base dos EUA/NATO, em Sigonella.

Quais são os objectivos da sua primeira viagem ao estrangeiro? São, sobretudo, três – explica o General McMaster, Conselheiro do Presidente para a segurança nacional – difundir uma “mensagem de unidade” aos muçulmanos, judeus e cristãos; construir relacionamentos com os líderes mundiais e projectar o poder americano no estrangeiro.

A visita a Roma é a terceira etapa do que é descrito como uma “peregrinação religiosa aos locais sagrados das três grandes religiões”. O “Peregrino” começou a viagem, assinando em Riyadh um acordo de venda de armas dos EUA à Arábia Saudita, no valor de 110 mil milhões de dólares, que se irão juntar às fornecidas pelo Presidente Obama, no valor de US $115 biliões. Armas usadas, entre outras coisas, na guerra da coaligação liderada pela Arábia Saudita e apoiada pelos EUA, que mata civis no Iémen.

Na “Cimeira Árabe Americana”, em 21 de Maio, em Riyadh, Trump apelou à Arábia Saudita e a outras monarquias do Golfo, para assumirem um compromisso renovado na luta contra o terrorismo, ou seja, aqueles que financiaram e armaram o Estado Islâmico/ISIS e outros grupos terroristas nas operações levadas a cabo, sob a orientação dos EUA/NATO, desde a Líbia até à Síria e ao Iraque. Neste grande “batalha entre o Bem e o Mal,” Trump inclui o Hezbollah e o Hamas na lista dos “criminosos bárbaros”, juntamente com o ISIS e a Al Qaeda. Culpa o Irão de ser responsável pela instabilidade no Médio Oriente, acusando-o de “financiar, armar e treinar milícias terroristas que semeiam a destruição e o caos na região” para desestabilizar a Síria, onde “Assad, apoiado pelo Irão, cometeu crimes indescritíveis.” Uma verdadeira declaração de guerra contra o Irão, que, na verdade, cancela os acordos previamente concluidos e é bem recebida, principalmente, por Israel. Nesse país, o Presidente norteamericano estará de visita em 22-23 de Maio, para reforçar a cooperação estratégica.

E enquanto, nas prisões israelitas, a greve de fome de milhares de prisioneiros políticos palestinianos, já se arrasta há 40 dias, Trump encontra-se com Mahmoud Abbas para “exortar os líderes palestinianos a dar passos construtivos em direcção à  paz.”

Trazendo essa “mensagem de unidade”, Trump irá discutir amanhã, com o Papa Francisco, em Roma, “uma série de questões de interesse mútuo.” Depois da reunião com o Presidente Mattarella, o qual reafirmará o ”vínculo histórico” da Itália aos Estados Unidos, Trump vai participar na Cimeira da NATO, em Bruxelas.

Aí, ele vai apoiar o plano do Pentágono para a Europa [1], ou seja, a escalada militar dos EUA na Europa e o reforço da NATO em face a “uma Rússia desperta, que procura minar a ordem internacional ocidental liderada pelos EUA.” Este é o plano que Trump tem de executar, renegando a sua reivindicação de uma “NATO obsoleta” e a sua promessa eleitoral de abertura a negociações com Moscovo: de facto, paira sobre a sua cabeça, a espada de Dâmocles – a impugnação, devido à acusação de conluio com o inimigo.

Depois da Cimeira da NATO, Trump vai para o G7, constituído pelos seis grandes países da NATO – EUA, Canadá, Alemanha, Grã-Bretanha, França e Itália – bem como pelo Japão, o principal aliado dos EUA e da NATO na região asiática do Pacífico, onde o Pentágono exemplifica o aumento das forças, incluindo forças nucleares, contra uma “China agressiva e uma Rússia vingativa”. No final, o Presidente dos Estados Unidos, irá visitar a vizinha base aérea de Sigonella, que é o sustentáculo principal  da guerra aberta e oculta dos EUA e da NATO no Médio Oriente e no Norte da África, apresentada como a “projecção da estabilidade na Mediterrâneo”. 

Manlio Dinucci

Fonte
Il Manifesto (Italia)

Traduzido do italiano por

Maria Luísa de Vasconcellos      

[1] “Perché Trump ha bombardato Sheyrat?”, di Thierry Meyssan, Traduzione Matzu Yagi, Megachip-Globalist (Italia) , Rete Voltaire, 2 maggio 2017. “Ecco il piano del Pentagono per l’Europa”, di Manlio Dinucci, Il Manifesto (Italia) , Rete Voltaire, 9 maggio 2017.

 

Fonte: www.voltairenet.org/article196464.html