Desista de esperar pela “3ª Guerra Mundial”: a 4ª Guerra Mundial já começou

27/2/2020, A. B. Abrams, The Saker Blog

 Tradução: Amigos do Brasil

“A. B. Abrams é autor de ‘Power and Primacy: A History of Western Intervention in the Asia-Pacific.’ Seu segundo livro, sobre a história do conflito dos EUA com a República Popular Democrática da Coreia (‘Coreia do Norte’) tem lançamento previsto para 2020.

É falante de chinês, coreano e outros idiomas do Leste Asiático, e tem vários artigos publicados sobre temas de política e defesa, sob vários pseudônimos. Tem dois títulos de mestrado em áreas correlatas, da Universidade de Londres.”

Para ouvir/ler interessantíssima entrevista com o autor (ing.) sobre o livro, clique aqui [NTs]



“O Coronavírus, bombas contra Hong Kong, guerra comercial e a vasta quantidade de ferramentas no arsenal ocidental para desestabilizar o que queira podem no máximo adiar por algum tempo esse desenvolvimento – mas não impedirão que aconteça. Numa economia capitalista globalizada, os produtores mais eficientes vencem – e o Leste da Ásia e a China particularmente, com seus valores confucianos, sistemas políticos estáveis e eficientes e a melhor educação de todo o planeta (37), quase com certeza absoluta assumirão a liderança da economia mundial.”
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O mundo encontra-se hoje num período de renovado conflito entre as grandes potências, com o Bloco Ocidental liderado pelos EUA, contra quatro ‘Grandes Potências adversárias’ – como dizem os planejadores da Defesa ocidental –, a saber China, Rússia, República Popular Democrática da Coreia (RPDC, ‘Coreia do Norte’) e Irã.

Ao longo dos últimos 15 anos, esse conflito escalou; hoje inclui as esferas militar, econômica e de informação, com consequências globais – e parece estar-se agravando, com picos de tensão que surgem em vários campos, de movimento de tropas e corrida armamentista, até duras guerras econômicas e uma sempre mais dura guerra de informação.

Embora a expressão ‘3ª Guerra Mundial’ tenha aparecido com frequência desde os anos 1940s, referindo-se à possibilidade de uma grande potência global fazer guerra em escala maior do que se viu na 1ª e na 2ª guerras mundiais, a Guerra Fria entre os blocos ocidental e soviético estava no auge, tão total, tão global e tão quente quanto os conflitos anteriores. Com os avanços na tecnologia de armas, a viabilidade de guerra direta diminuiu consideravelmente – forçando as grandes potências a buscar meios alternativos para arquitetar a capitulação dos adversários e afirmar a própria dominância. Isso se refletiu no modo como a Guerra Fria e a fase atual do conflito global ao qual alguns se referem como ‘Guerra Fria 2’ foram diferentes das duas guerras mundiais, apesar de os objetivos finais dos lados envolvidos partilharem muitas semelhanças. Sugiro portanto que se redefina o que seja uma ‘guerra mundial’ e que se reconheça que a fase atual do conflito global é tão absolutamente intensa quanto as ‘guerras quentes’ que grandes potências fizeram na primeira metade do século 20.




Se o míssil balístico de alcance intercontinental e a ogiva nuclear miniaturizada tivessem sido inventados vinte anos antes, as Potências Aliadas talvez tivessem de confiar mais pesadamente em guerra econômica e de informação, para conter e eventualmente neutralizar a Alemanha Nazista. A Segunda Guerra Mundial teria sido de natureza muito diferente, para refletir as tecnologias de seu tempo. Quando vista a partir desse paradigma, a Guerra Fria é como uma ‘Guerra de Terceiro Mundo’ – conflito total mais vasto, abrangente e internacional que os que a precederam, distendido por mais de 40 anos. O atual conflito, ou a ‘4ª Guerra Mundial’, está em andamento.

Uma avaliação de ‘guerras de grandes potências’ anteriores, e a natureza específica, única, do conflito hoje em curso, podem oferecer alguma visão aproveitável sobre o modo como a própria guerra está evoluindo e os prováveis determinantes dos que saiam vitoriosos.

Como vê-se em 2020, o conflito entre grandes potências já é claramente tão ‘quente’ quanto poderia ser, antes de virar guerra ‘quente’ total – com o Bloco Ocidental aplicando pressão máxima nos fronts de informação, militar e econômico, para minar não só adversários menores, como Venezuela e Síria, e médios, como ‘Coreia do Norte’ e Irã, mas também China e Rússia. Ainda não se determinou com certeza quando, exatamente, começou essa fase de conflito – em algum momento depois do fim da Guerra Fria.

O intervalo entre a 3ª e a 4ª ‘guerras mundiais’ foi consideravelmente mais longo do que entre a 2ª e a 3ª. Isso, por vários fatores – em primeiro lugar porque não havia adversário imediato e óbvio a ser atacado pelo Bloco Ocidental vitorioso, dado que a União Soviética fora derrotada. A Rússia pós-soviética era uma sombra de uma sombra do que havia sido. Sob o governo de Boris Yeltsin, a economia do país encolheu espantosos 45% em apenas cinco anos a partir de 1992 (1), levando a milhões de mortes e a queda violenta nos padrões de vida.

Mais de 500 mil mulheres e jovens da extinta URSS foram traficadas para o Ocidente e o Oriente Médio – frequentemente como escravas sexuais (2); a dependência de drogas aumentou 900%; a taxa de suicídios dobrou; a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA) passou à categoria de epidemia nacional (3); a corrupção era rampante e o setor da defesa nacional viu seus principais programas de armas, criticamente importantes para manter a paridade de forças com o Ocidente, serem adiados ou extintos, efeito de profundos cortes no orçamento (4). A possibilidade de o estado ser dividido em partes ainda menores, como atestada várias vezes por funcionários de alto escalão, era muito real, à imagem do modelo iugoslavo (5).

Além da Rússia, o Partido Comunista da China, logo no início da Guerra Fria, empreendeu esforço considerável para evitar tensões com o mundo ocidental – incluindo o exercício muito cauteloso do direito de veto na ONU, que facilitou a ação militar liderada pelo Ocidente contra o Iraque (6). O país ia-se integrando à economia global centralizada no Ocidente e continuava a enfatizar a natureza pacífica do próprio crescimento econômico, interessado em não fazer alarde da própria força também crescente. A intelectualidade ocidental à época continuou a ‘diagnosticar’ com aparente segurança que a mudança interna, a mudança de rumo na direção de um sistema político de estilo ocidental e o colapso do poder do Partido seriam inevitáveis.

Esperava-se então uma ocidentalização por infiltração, para neutralizar a China como ator capaz de desafiar a primazia ocidental – como acontecera com outros estados-clientes ocidentais em todo o mundo. Naquele momento, duvidava-se seriamente até da capacidade da China para fazer guerra convencional contra Taiwan; e embora militares chineses tenham dado passos consideráveis com o apoio de um sempre crescente orçamento de Defesa e massiva transferência, de estados sucessores falidos, de tecnologias soviéticas para os chineses, a China ainda estava muito longe de ser potência equivalente.

A RPDC, ‘Coreia do Norte’, foi posta sob considerável pressão militar por não ter acompanhado o colapso e a ocidentalização do antigo mundo comunista, amplamente referidos como a ‘maré da história’ no Ocidente naquele momento. A mídia ocidental, de início, deu sinais de que faria de tudo para preparar o público para uma campanha militar para pôr fim à Guerra da Coreia – amplamente retratada no início dos anos 1990s como ‘outro Iraque’ (7) – e impor um novo governo ao norte do paralelo 38 (8).

Ativos militares significativos foram movidos para o Nordeste da Ásia, especificamente para atacar o país durante os anos 1990s, e o governo Bill Clinton esteve várias vezes muito perto de iniciar ação militar – mais especialmente em junho de 1994. Afinal, uma combinação de firmeza, um formidável aparelho de mísseis de contenção, capacidade nuclear limitada mas ambígua e, talvez o fator mais importante, a certeza, no Ocidente, de que o estado colapsaria inevitavelmente sob pressão militar e econômica sustentada, acabou por adiar, pelo menos temporariamente, as opções militares.

O quarto dos estados que os EUA consideram hoje “grande potência adversária”, o Irã também fazia esforço importante para evitar antagonizar o Bloco Ocidental nos anos 1990s – e pareceu mais preocupado com ameaças à segurança de sua fronteira norte, a partir do Afeganistão controlado pelos Talibã. Com uma fração do poder militar que tivera o vizinho Iraque, a presença de uma ‘ameaça iraniana’ garantiu o pretexto chave para presença militar do Ocidente no Golfo Persa, depois que soviéticos, a República Árabe Unida e agora o Iraque foram todos esmagados. Com o novo governo na Rússia pressionado para pôr fim a planos de transferir armamento avançado para o Irã (9), o espaço aéreo do país, até meados dos anos 2000s, foi frequentemente invadido por aeronaves norte-americanas, invasões que às vezes duravam horas, aparentemente sem que os iranianos nem vissem. Isso, combinado a magras possibilidades econômicas, fizeram do Irã ameaça que se podia desconsiderar.

Se a Guerra Fria terminou em algum momento entre 1985 e 1991 – levando ao fim a ‘3ª Guerra Mundial’ –, o período de tempo ao longo do qual se poderia dizer que começou a ‘4ª Guerra Mundial”, com o Ocidente novamente devotado a conflito contra grande potência, é muito mais longo. Alguns falarão do Verão de 2006 – quando Israel sofreu a primeira derrota militar de sua história, nas mãos da organização libanesa paramilitar armada conhecida como “Partido de Deus”, Hezbollah. Usando redes de túneis e bunkers, estruturas de comando, armas e treinamento de tipo norte-coreano (10), e reforçado por financiamento e equipamento iraniano, o choque da vitória do Hezbollah, embora minimizado na mídia ocidental, reverberou entre os círculos bem informados por todo o planeta.

Outros falarão de dois anos depois, em 2008, durante os Jogos Olímpicos de Verão de Pequim, quando a Geórgia, com integral apoio do Ocidente fez rápida guerra contra a Rússia – e Moscou, indiferente aos furiosos ‘alertas’ que chegavam de Washington e de capitais europeias, recusou-se a recuar das posições onde já estava instalada. As relações da Rússia pós-Yeltsin com o Bloco Ocidental sempre pareceram relativamente amigáveis à superfície. O presidente George W. Bush observou até, em 2001, falando do presidente Vladimir Putin, que “consegui sentir alguma coisa da alma dele”; e anteviu “o início de um relacionamento muito construtivo.” Mas começaram a crescer os sinais de tensão, a partir da posição de oposição, de Moscou, à Guerra do Iraque, no Conselho de Segurança da ONU, até o famoso “Discurso de Munique”, de Putin, em fevereiro de 2007 –, discurso no qual Putin criticou fortemente as violações do direito internacional e o “uso da força, quase sem qualquer restrição, nas relações internacionais”, pelos EUA.

Também se poderia conjecturar, à luz do que sabemos sobre o apoio do Ocidente aos separatistas insurgentes na própria Rússia durante os anos 1990s, se a guerra contra o país teria realmente acabado algum dia; ou se as hostilidades só parariam com capitulação mais total e divisão do estado e com a presença de soldados ocidentais em solo russo, acompanhando o precedente iugoslavo. Como o presidente Putin disse em 2014, sobre continuadas hostilidades do Ocidente contra a Rússia nos anos 1990s: “O apoio que o exterior dá ao separatismo na Rússia, incluindo apoio informacional, político e financeiro, mediante serviços de inteligência, foi absolutamente óbvio. Não há dúvidas de que muito teriam apreciado ver para nós um cenário de Iugoslávia, de colapso e desmembramento, com todas as trágicas consequências que teria para os povos da Rússia” (11).

Quanto aos esforços ocidentais para desestabilizar a Rússia durante os anos 1990s, o vice-diretor do Conselho Nacional sobre Inteligência da CIA Graham E. Fuller, um dos arquitetos chaves na criação dos Mujahedin para combater contra os afegãos e, depois, contra a URSS, disse, sobre a estratégia da CIA no Cáucaso, nos primeiros anos pós-Guerra Fria: “A política de guiar a evolução do Islã e de ajudá-los contra nossos adversários funcionou maravilhosamente bem no Afeganistão contra o Exército Vermelho. As mesmas doutrinas ainda podem ser usadas para desestabilizar o que resta do poder russo” (12).

O diretor da Força-tarefa do Congresso dos EUA para Terrorismo e Guerra Não Convencional Yossef Bodansky também detalhou a extensão da estratégia da CIA para desestabilizar a Ásia Central servindo-se da “Jihad islamista no Cáucaso como modo de privar a Rússia de rota viável para gasoduto através da violência e do terrorismo crescentes e cada vez mais abrangentes” – basicamente encorajando países muçulmanos aliados ao Ocidente a manter o apoio que davam a grupos militantes (13).

Em boa parte como a Guerra Fria antes, e em menor extensão como a 2ª Guerra Mundial, as grandes potências escorregaram para uma nova fase do conflito, sem que o movimento tivesse sido declarado num ou noutro momento. Terá a Guerra Fria começado com o Bloqueio de Berlim, o bombardeio das forças ocidentais contra a Coreia, ou quando foram lançadas as bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki – que acelerou o movimento na direção de uma corrida armamentista nuclear? Do mesmo modo, também há várias datas já sugeridas para o início da 2ª Guerra Mundial – a invasão da Polônia pela Alemanha, em 1939, o início da guerra sino-japonesa dois anos antes, o ataque contra Pearl Harbour, pelo Império Japonês e a conquista do sudeste asiático, que marcou a primeira grande expansão fora da Europa e norte da África em 1941, ou alguma outra data. Talvez se possa dizer que o deslizamento rumo a nova guerra mundial foi, naquele momento, ainda mais lento que antes.

A virada na direção de conflito a cada dia mais intenso entre grandes potências foi marcada por vários grandes incidentes. No teatro europeu, um dos primeiros foi a retirada, do governo Bush, do Tratado dos Mísseis Anti-mísseis Balísticos em 2002, e do subsequente deslocamento de mísseis de defesa e expansão da presença militar da OTAN na área que fora de influência soviética, o que foi visto na Rússia como tentativa para neutralizar a capacidade russa de contenção e pôr o Bloco Ocidental em posição que lhe permitisse coagir militarmente Moscou (14).

Tudo isso ameaçava abalar seriamente o status quo de vulnerabilidade mútua, e teve papel chave no desencadeamento de furiosa corrida armamentista, ao longo da qual a Rússia desenvolveria várias classes de armas hipersônicas. Quando essas armas foram expostas, em 2018, começou a vez de os EUA garantirem fundos, prioritariamente, para desenvolver mísseis interceptores de maior capacidade; uma nova geração de mísseis de defesa baseados em lasers; e seus próprios mísseis balísticos hipersônicos e mísseis cruzadores (15).

Outros dos principais catalisadores do movimento rumo a confronto entre grandes potências foi a iniciativa “Pivô para a Ásia” do governo de Barak Obama, sob a qual o núcleo do potencial militar dos EUA e consideráveis recursos do restante do mundo ocidental seriam dedicados a manter a primazia militar ocidental no Pacífico Ocidental. Tudo isso foi combinado a esforços de guerra econômica e de informação, essa última concebida para demonizar cada vez mais a China e a Coreia do Norte em toda a região e para além dela, buscando ativamente disseminar narrativas pró-Ocidente e contra governos locais entre as populações, mediante recurso a amplo repertório de meios sofisticados (16).

Esses programas surgiram na sequência de outros patrocinados por agências da inteligência ocidental, para ativamente matar qualquer opinião positiva que as populações do Pacto de Varsóvia e da União Soviética conservassem sobre os próprios regimes políticos, pintando simultaneamente as potências ocidentais como salvadores benevolentes e democratizantes (17).

A guerra econômica também desempenhou papel significativo, com esforços centrados no acordo comercial conhecido como “Parceria Trans-Pacífico – também conhecido como “OTAN Econômica”, por vários analistas – para isolar a China das economias regionais e garantir que a região permanecesse firmemente aderida à esfera de influência do Ocidente (18). O aspecto militar do Pivô para a Ásia faria redespertar disputas territoriais há muito tempo adormecidas, e acabou por levar a fortes tensões militares entre EUA e China as quais por sua vez serviram de combustível para o início de uma corrida armamentista. Essa corrida armamentista mais recentemente levou os EUA a se retirarem do Tratado das Forças Nucleares de Alcance Intermediário, movimento que abre o caminho para que EUA instalem mísseis por todo o Pacífico ocidental – todos com a China e a Coreia do Norte já na mira (19).

Mas pode-se dizer que foi no Oriente Médio que essa nova fase do conflito global assistiu, até aqui, aos confrontos mais diretos. O conflito que durou nove anos na Síria, embora muito menos destrutivo ou brutal, já garante, para a ‘4ª Guerra Mundial’, algo muito assemelhado ao que foi a Guerra da Coreia na Guerra Fria. O conflito uniu o Bloco Ocidental e vasta gama de aliados, de Turquia e Israel aos Estados do Golfo e até mesmo ao Japão (que financia os “Capacetes Brancos” ligados a jihadistas) (20), num esforço para derrubar um governo independente com laços próximos e já antigos, de defesa, com Rússia, Coreia do Norte, Irã e China.

O conflito viu agentes de forças especiais norte-coreanos, russos, iranianos e do Hezbollah (21) dentre outros quadros, operantes em solo no apoio aos esforços da contrainsurgência síria, com todos esses grupos fornecendo considerável apoio material (os norte-coreanos construíram as instalações e forneceram o pessoal especializado para pelo menos três hospitais, como parte de grandes pacotes de ajuda médica, e continuam a ser grandes fornecedores de armas e treinamento) (22). A China também, particularmente preocupada com a presença na Síria, de militantes jihadistas de origem chinesa, teve seu papel no conflito (detalhes precisos dessa participação chinesa permanecem obscuros, apesar de muito se falar dela, mas com poucas confirmações (23).

A insurgência Síria envolvendo vários grupos jihadistas, às vezes unidos exclusivamente pelo projeto de pôr fim ao governo secular sírio, recebeu amplo suporte do Bloco Ocidental e de seus aliados já citados. Esse suporte envolveu ajuda material, a qual, segundo a secretária de Estado Hillary Clinton incluiu fingir que não via a ajuda considerável que países do Golfo davam aos terroristas do Estado Islâmico (24), e o deslocamento ativo, para a região, de forças especiais transferidas de vários países, de Bélgica e Arábia Saudita a Israel e EUA. EUA, potências europeias, Turquia e Israel várias vezes atacaram diretamente unidades sírias em campo – e relatórios russos indicam que houve estreita coordenação de forças ocidentais e grupos jihadistas, usada para facilitar vários ataques bem-sucedidos contra posições russas (25).

O conflito na Síria, pode-se dizer, representa um microcosmo do macrocosmo de uma nova guerra mundial – na qual se enfrentam, em campo, o Bloco Ocidental e os que apoiam a ordem mundial liderada pelo Ocidente, seja diretamente ou mediante ‘procuradores’ locais, contra três das quatro ‘grandes potências adversárias’.

A “4ª Guerra Mundial” não terá fim em futuro previsível, e é muito difícil prever a que resultado chegará. Semelhante ao que se viu na Guerra Fria, o Bloco Ocidental mantém vantagens consideráveis – hoje principalmente no campo da guerra de informação, que permite modelar extensamente a percepção da vasta maioria da população mundial. Nisso se incluiu a demonização de adversários do Ocidente, a lavagem de dinheiro e de crimes cometidos pelo Ocidente, seja no plano doméstico seja no plano internacional, e apresentar a ocidentalização e o aprofundamento da influência ocidental como solução para a frustração dos povos contra tudo, da corrupção à estagnação da economia. Esse tem sido fator chave de facilitação dos protestos pró-Ocidente que eclodem em muitos estados, de Sudão e Argélia a Ucrânia e Tailândia.

Também economicamente, só a China, dentre os maiores adversários do Bloco Ocidental oferece ameaça séria ao primado do Ocidente. Na verdade, permanece altamente duvidosa a hipótese de que os outros três conseguiriam sobreviver economicamente sob pressão do Ocidente, não fosse o apoio comercial e econômico dos chineses.

Desde os anos 1990s, a Rússia conseguiu importante recuperação econômica, mas ainda não passa de sombra do que foi na era soviética. A liderança russa conseguiu reformar as forças armadas, o Ministério de Relações Exteriores e os serviços de inteligência, mas a economia, o sistema judiciário e outras partes do Estado ainda carecem dramaticamente de melhoramentos, que já tardam, agora que lá se vão mais de 20 anos desde a partida de Yeltsin. Mesmo no campo da defesa, as dificuldades econômicas impuseram sérias limitações – e em campos como aviação e produção de blindados o país está apenas começando a avançar além de simples modernização de armamento da era soviética, e a desenvolver novos sistemas para o século 21 (26). Do lado positivo, o país permanece na liderança de muitas tecnologias de ponta, sobretudo na área militar e de exploração do espaço, quando sanções econômicas ocidentais comprometeram as posições de eurófilos, seja dentro das elites seja dentro do governo e induziram o crescimento de produção doméstica para substituição de produtos importados do Ocidente (27).

Na maioria dos campos, o ‘Bloco Ocidental’ foi empurrado para a defensiva e forçado a prevenir perdas sempre maiores, em vez de buscar ganhos efetivos. Por sua vez, preservar a soberania venezuelana, impedir que a OTAN se apossasse da Crimeia e impedir a queda da Síria foram enormes vitórias – são sucessos importantes, ao impedir que o Ocidente alcançasse qualquer expansão de sua própria esfera de influência, além de impedir qualquer reversão de ganhos prévios, e que ameaçam fontes chaves do poder ocidental. Ter tentado derrubar os governos de Venezuela e na Ucrânia, e ter iniciado guerras no Donbasss e na Síria custaram relativamente pouco ao Bloco Ocidental – os ucranianos e estados clientes no Golfo e a Turquia pagaram pela parte principal dos custos dos esforços de guerra.

Ironicamente, parte significativa do equipamento usado por forças apoiadas pelo Ocidente nas duas guerras, é armamento do Pacto de Varsóvia, construído para resistir contra o expansionismo ocidental – e equipamento que, depois da Guerra Fria, caiu em mãos da OTAN, e hoje está sendo canalizado para forças dos ‘procuradores’ de potências ocidentais. Armamento líbio também foi transferido para terroristas apoiados pelo Ocidente na Síria em quantidades consideráveis depois da queda da Líbia em 2011 – o que também minimizou os custos que o Bloco Ocidental assumiu, ao patrocinar a insurgência jihadista (28). O dano provocado e o preço que sírios, russos, o Hezbollah e outros tiveram de pagar são assim, portanto, muito superiores aos custos que pesaram sobre as potências ocidentais para causar destruição e iniciar conflitos.

A Síria foi devastada, com efeitos trágicos, que vão da reinfestação pela poliomielite até a contaminação por urânio baixo-enriquecido nas ruínas resultantes dos ataques aéreos ocidentais, e já há uma nova geração que nasceu e cresceu com mínima educação formal em territórios controlados por terroristas.

A guerra é vitoriosa, na medida em que o Ocidente não conseguiu derrubar do poder o governo em Damasco – mas os ganhos do Ocidente, desde ter conseguido iniciar e alimentar o conflito, sobrepassam em muito as suas perdas. Ao mesmo tempo, mediante bem-sucedida campanha de guerra de informação, a esfera de influência do Ocidente só fez aumentar – com expansão continuada da OTAN e a derrubada de governos em estados ricos aliados de Rússia e China, como Líbia, Sudão e Bolívia.

Conseguir ocupar o governo da Ucrânia, país pobre, mas estrategicamente localizado, foi também um grande ganho. E estados como Argélia e Cazaquistão caminham céleres para o olho do alvo das armas do Bloco Ocidental. Assim, se a Síria foi salva, e apenas em parte, muito mais, no mesmo tempo, foi perdido. O dano causado a Hong Kong por militantes pró-Ocidente, ‘bandidos pela democracia’, como os locais passaram a designá-los, que recentemente começaram a bombardear hospitais e incendiar clínicas e serviços médicos de primeiros socorros (29), também é similarmente maior que os custos que recaem sobre as potências ocidentais por terem criado e nutrido a insurgência. Ataques similares para derrubar ‘por dentro’ quem ainda permaneça fora da influência ocidental continuam a pressionar governos alinhados a russos e chineses e estados neutros considerados insuficientemente pró-Ocidente.

Mas, ao mesmo tempo em que o Bloco Ocidental parece estar em posição de considerável poder, largamente em virtude de o Ocidente dominar o espaço informacional, o que lhe permitiu permanecer na ofensiva, é possível que já esteja à vista um importante ponto de virada.

Do avanço do consumo de drogas entre jovens (30), aos estarrecedores níveis da dívida (31) e à deterioração dos partidos políticos e da mídia popular, para ficar só nesses exemplos, o Ocidente parece estar exposto hoje a risco muito maior de colapsar de dentro para fora, do que esteve durante a Guerra Fria.

Sinal notável disso é o ressurgimento de movimentos anti-establishment de extrema direita e de extrema-esquerda, em grande parte do mundo ocidental. Apesar de benefícios massivos extraídos do acesso privilegiado a bases de recursos do Terceiro Mundo, da exploração da África Ocidental Francófona, pela França (32), até o sistema petrodólar que sustenta a moeda norte-americana (33), as economias ocidentais, com raras exceções, absolutamente não estão saudáveis, longe disso. Já tivemos uma amostra em 2007-2008, e praticamente nada foi feito para superar as dificuldades econômicas chaves que facilitaram a crise anterior, nos 12 anos que se seguiram, até hoje (34).

A capacidade do Ocidente para competir no campo de tecnologias de ponta, especialmente contra as economias em crescimento e mais eficientes do Leste Asiático, parece cada vez mais limitada. De semicondutores a carros elétricos, de smartphones a 5G, praticamente todas as economias líderes estão no leste da Ásia, e continuaram a minar o primado econômico do Ocidente e a expor as graves ineficiências das economias ocidentais. O resultado tem sido balanças de pagamento menos favoráveis no mundo ocidental, dependência crescente do poder do Estado para facilitar exportações (35), e crescente instabilidade política, com os padrões de vida submetidos a pressão crescente. Os Coletes Amarelos e a ascensão de Donald Trump e Bernie Sanders são sintomas disso.

Ante possibilidade muito real de outro crash econômico na próxima década, ao estilo de 2008, mas provavelmente muito pior, as economias ocidentais provavelmente receberão o peso de todos esses danos. A capacidade de sobreviverem é tema gravemente duvidoso. Efeitos de um crash sobre Coreia do Norte, Irã, Rússia e até a China serão muito menos severos. Apesar de o crash anterior ter tido efeitos particularmente graves sobre a Rússia (36), a virada econômica a partir de 2014 e o isolamento forçado pelas sanções impostas pelo Ocidente tornaram a Rússia muito menos vulnerável, hoje, aos efeitos venenosos de uma crise da economia ocidental.

Atualmente, a China parece estar-se posicionando para uma vitória do ‘Bloco Oriental’ – golpe de misericórdia que pode fazer reverterem-se os ganhos do Ocidente ao longo de várias décadas passadas, com a consequente diminuição do próprio poder do Ocidente, em extensão jamais vista em séculos. Se os EUA relutantemente deslocalizaram grande parte da produção de suas indústrias de ponta para aliados do Leste Asiático durante a Guerra Fria – a saber, Japão, Coreia do Sul e Taiwan –, a China salta agora diretamente na jugular da economia do Ocidente, com sua iniciativa ‘Made in China 2025’, que verá alguns campos críticos da primazia tecnológica do Ocidente ainda remanescentes saltarem para mãos leste-asiáticas.

O Coronavírus, bombas contra Hong Kong, guerra comercial e a vasta quantidade de ferramentas no arsenal ocidental para desestabilizar o que queira podem no máximo adiar por algum tempo esse desenvolvimento – mas não impedirão que aconteça. Numa economia capitalista globalizada, os produtores mais eficientes vencem – e o Leste da Ásia e a China particularmente, com seus valores confucianos, sistemas políticos estáveis e eficientes e a melhor educação de todo o planeta (37), quase com certeza absoluta assumirão a liderança da economia mundial.

Em boa parte como a chave para a vitória ocidental na Guerra Fria foram os esforços bem-sucedidos na guerra de informação e o isolamento da economia soviética em relação à maior parte da economia mundial, a chave para determinar o vencedor da ‘4ª Guerra Mundial’ provavelmente será o sucesso ou o fracasso de Pequim no esforço para dominar as tecnologias de ponta críticas para sustentar as economias ocidentais hoje.

Mas esse não é, nem de longe, o único fator determinante da vitória. Esforços para (i) minar os efetivos subsídios para economias ocidentais que vêm da África Central e Ocidental, dos estados do Golfo e de outras fontes no Terceiro Mundo, e para (ii) garantir paridade militar continuada – para impedir que a OTAN derrube o tabuleiro caso perca a disputa na guerra econômica – são outros campos criticamente importantes. Considerados os sucessos anteriores da China e os sucessos de outras economias da Ásia Ocidental, é alta a probabilidade de que a China alcance suas metas de desenvolvimento – em detrimento dos interesses ocidentais. O resultado será fim da ordem mundial centrada na força do Ocidente – fim do status quo dos últimos muitos séculos –, e emergência, em vez daquilo, de uma ordem mundial multipolar sob a qual Rússia, Ásia (Central, Oriental, Sul e Sudeste) e África conhecerão proeminência e prosperidades muito, muito maiores.

Referências

(1) Menshikov, S., ‘Russian Capitalism Today,’ Monthly Review, vol. 51, no. 3, 1999 (pp. 82–86).

(2) Yulia V. Tverdova, ‘Human Trafficking in Rússia and Other Post-Soviet States,’ Human Rights Review, December 11, 2016.

(3) Klein, Naomi, The Shock Doctrine: The Rise of Disaster Capitalism, London, Penguin, 2008 (Chapter 11: ‘Rússia Choses the Pinochet Option: Bonfire of a Young Democracy’).

(4) ‘The Death of the MiG 1.44 Program; How the Collapse of the Soviet Union Derailed Moscou’s Fifth Generation Fighter Development,’ Military Watch Magazine, September 16, 2018.  ‘Rússia’s Sukhoi Unveils Images from Cancelled Next Generation Fighter Program,’ Military Watch Magazine, December 17, 2019.

(5) Presidential Address to the Federal Assembly, President of Rússia, Kremlin, December 4, 2014.

Bechev, Dimitar, Rival Power: Rússia’s Influence in Southeast Europe, New Haven, CT, Yale University Press, 2017 (Chapter 1).

(6) Kristof, Nicholas D., ‘WAR IN THE GULF: China; Pequim Backs Away From Full Support of the War,’ New York Times, February 1, 1991.

(7) ‘Thaw in the Koreas?,’ Bulletin of Atomic Scientists, vol. 48, no. 3, April 1992 (p. 16).

(8) ‘Time to End the Korean War,’ The Atlantic, February 1997.

(9) Axe, David, ‘Irã Desperately Wants This Fighter Plane,’ The National Interest, January 4, 2020.

(10) ‘Hezbollah a DPRC-Type Guerrilla Force,’ Intelligence Online, No. 529, August 25–September 7, 2006.  “‘Coreia do Norte’ns Assisted Hezbollah with Tunnel Construction,” Terrorism Focus, The Jamestown Foundation, vol. III, issue 30, August 1, 2006.

Dilegge, Dave and Bunker, Robert J., and Keshavarz, Alma, Iranian and Hezbollah Hybrid Warfare Activities: A Small Wars Journal Anthology, Amazon Media, 2016 (p. 261).

‘Bulsae-3 in South Lebanon: How Hezbollah Upgraded its Anti-Armour Capabilities with ‘North Korean Assistance,’ Military Watch Magazine, September 3, 2019.

(11) Kremlin, President of Russia, Presidential Address to the Federal Assembly, December 4, 2014.

(12) Congressional Record, V. 151, PT. 17, U.S. Congress, October 7 to 26, 2005.

(13) ‘American political scientist: Western Intelligence used Azerbaijan to export terrorism into Russia,’ Panorama, May 30, 2015.

(14) Kremlin, President of Russia, Plenary session of St Petersburg International Economic Forum, June 17, 2016.

(15) Gregg, Aaron, ‘Military Industrial Complex Finds a Growth Market in Hypersonic Weapons,’ Washington Post, December 21, 2018.

(16) Mullen, Mike and Nunn, Sam and Mount, Adam, A Sharper Choice on ‘Coreia do Norte’: Engaging China for a Stable Northeast Asia, Council on Foreign Relations, Independent Task Force Report No. 74, September 2016.

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