PT — LARRY ROMANOFF — Praça Tiananmen: O Fracasso de uma Revolução Colorida Instigada pelos Americanos em 1989.

Praça Tiananmen: O Fracasso de uma Revolução Colorida Instigada pelos Americanos, em 1989

Pequim: 04 de Junho de 1989

Por LARRY ROMANOFF — Setembro  24, 2019

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Existem poucos lugares na China, que pareçam mais gravados a fogo na consciência dos ocidentais típicos do que a Praça Tiananmen e há poucos acontecimentos mais mencionados habitualmente, do que os protestos estudantis de 1989. Mas os relatos estão errados a vários níveis. Nunca foi relatado na comunicação mediática ocidental que houve dois acontecimentos separados que ocorreram em Pequim, em 4 de Junho de 1989. Um deles, foi um protesto estudantil de vários milhares de estudantes universitários, que culminou numa manifestação na Praça Tiananmen, que durou vários semanas e terminou, finalmente, em 4 de Junho. O outro foi uma greve operária de um dia, que aconteceu (talvez não por acaso) também em 4 de Junho, quando um grupo de trabalhadores insatisfeitos com a sua situação, organizou um protesto independentemente dos estudantes e num local diferente. Por motivos que se tornarão evidentes, o protesto dos trabalhadores é o ponto central necessário para a compreensão dos acontecimentos daquela data, por conseguinte, vou começar por aí.

A Revolta dos Trabalhadores

Um grupo de trabalhadores reuniu-se e barricou várias ruas em Muxidi, uma área de Pequim, a cinco ou seis quilómetros da Praça Tiananmen, tendo comparecido nas barricadas várias centenas de trabalhadores, na maioria adultos, e um número indeterminado de alguns jovens. No entanto, estava presente um terceiro grupo bastante grande que, tanto quanto sei, nunca foi claramente identificado, embora seja óbvio pelas fotos que não eram trabalhadores e, muito menos, jovens estudantes. (1) Designá-los como bandidos ou anarquistas pode ser um adjectivo apropriado, mas os factos parecem apoiar a conclusão (e meu próprio julgamento pessoal) de que eram mercenários. (2)

O governo enviou autocarros cheios de soldados, acompanhados de alguns APCs (veículos de combate blindados) para limpar as barricadas e reabrir as ruas ao trânsito. (3) A violência começou quando esse terceiro grupo atacou os jovens que tentavam limpar as barricadas. Estavam bem preparados, armados com, pelo menos, centenas ou talvez milhares de bombas de gasolina, e incendiaram, imediatamente, dezenas de autocarros e os poucos veículos de combate blindados – com os soldados ainda dentro deles. 

Muitos soldados em ambos os tipos de veículos escaparam, mas outros não e muitos morreram queimados. São inúmeras as fotos de soldados mortos queimados, alguns pendurados pelos bandidos nos postes de iluminação pública, outros deitados na rua ou nas escadas ou calçadas onde morreram, outros pendurados nas janelas dos autocarros ou dos veículos blindados de combate, tendo escapado apenas parcialmente antes de serem envolvidos pelas chamas. Existem relatórios documentados e fotos que mostram que o grupo de bandidos conseguiu obter o controlo de um APC/veículo  de combate blindado e dirigiu-o pelas ruas enquanto disparava as metralhadoras da torre. (4) Só então é que o governo enviou soldados armados e equipamento militar.


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